​Jovens radialistas mergulham na cultura quilombola em Paquetá

Uma imersão profunda e enriquecedora na cultura dos povos quilombolas da comunidade Costaneira, município de Paquetá, no estado do Piauí, sacudiu os/as jovens do Projeto Jovens Radialistas do Semiárido, da turma da cidade de Picos, nesse último sábado, 24 de outubro. O projeto, que oferece o curso técnico em comunicação social – habilitação Rádio e Tv, conta com apoio da Brücke Le Pont e patrocínio da Petrobras.

Os alunos mergulharam nas cores, sabores, fazeres e saberes dos povos de uma identidade marcada pela resistência, raízes definidas e uma diversidade de cores e expressões. Uma cultura vibrante e encantadora. O encontro dos/das jovens radialistas com a comunidade quilombola de Costaneira, não foi apenas um encontro de corpos, mas um encontro de alma e ideais.

Estavam nítidas as energias que os envolvia e assentava naquele espaço - espaço de diálogo que reuniu raças, gêneros, religiões, hábitos, expressões diversas, que se descobriam e descortinava as belezas e riquezas diversas de um país de pluralidade cultural - o Brasil, e, sobretudo, o rico Semiárido, que às vezes fica escondido atrás das câmeras preconceituosas, que apenas criam um Semiárido fictício para nos identificar com a pobreza, a seca, aspereza do modo de vida, as heranças do coronelismo, a política injusta, a sensualidade.

E o verdadeiro semiárido e a verdadeira face de seu povo foi registrado pelas lentes, pele, voz e alma dos jovens do Projeto Jovens Radialistas do Semiárido na comunidade quilombola de Costaneira: uma comunidade quilombola que mantém a cultura de resistência, que luta pela garantia da preservação de suas raízes étnicas, que festeja a vida, e vive intensamente o conjunto de tradições dos antepassados e que tem uma íntima relação com as cores, sua ancestralidade, seus ritos, memórias que preservam e se orgulham de seu patrimônio.

Esse povo fez desse encontro, uma experiência ímpar para os jovens radialistas do semiárido, e para a comunidade como relata Naldo, líder da comunidade: “É sempre muito bom receber visitas, sempre recebemos nossos visitantes com festa, pois são visitas como a de vocês que nos dizem que nossa cultura é importante”, afirma.

A comunidade preparou um ritual de acolhimento com uma mistura de sensações e sons de tambor e atabaques, e, nosso paladar foi envolvido pela descoberta de pratos peculiares da cozinha de quilombo. No café da manhã foram degustados chouriço, bolo de tapioca, cuscuz, beiju, carne de porco, bolo de fubá, paçoca e no almoço foram servidos pintado, bode, porco, feijoada, farofa, chouriço, torresmo, tudo acompanhado da explicação de Naldo que contou a origem e o modo de preparo de cada prato. Além de uma recepção calorosa, a comunidade preparou apresentações culturais como: roda de São Gonçalo, Dança Leseira (dança exclusiva da comunidade), benditos, dança de terreiro, onde a juventude da comunidade participou. Aconteceu também uma rica roda de conversa para apresentar a comunidade, suas lutas, conquistas, histórias e, despertou a curiosidade e a paixão de todos e todas.

Naldo também falou dos programas sociais que ajudam na organização comunitária, e um dos programas que ele citou foi o Programa P1+2 (Uma terra e duas águas) da ASA - Articulação do Semiárido Brasileiro que tem dado suporte na conquista da água e fortalecimento da produção de alimentos para as famílias da comunidade. As expressões dos quilombolas registradas pela sensibilidade dos/as jovens radialistas do semiárido vêm afirmar que as comunidades quilombolas não se configuram como comunidades isoladas, como muitos dizem, mas sim como comunidades de povos conscientes de sua identidade, com sentimento de pertencimento e uma energia que não se encontra em nenhum centro urbano.


Repórter: Elaine Dias

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